Estudo prevê centenas de mortes no RJ com calor do Super El Niño

Fenômeno climático pode causar mais de 450 mil vítimas no mundo e mais de 13 mil no Brasil

Termômetro em São Fidélis durante onda de calor em 2024 durante o último El Niño (Foto: Arquivo/SF Notícias)

   O calor extremo causado pelo Super El Niño pode provocar 13,3 mil mortes no Brasil, a maioria nas regiões Norte e Nordeste, de acordo com relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, divulgado nesta quarta-feira (23). No estado do Rio de Janeiro, a projeção indica um pouco mais de 200 mortes, com pico entre janeiro e fevereiro do ano que vem.

   O Brasil está entre os países que podem ser mais afetados pelo Super El Niño, fenômeno marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Segundo projeções de cientistas, o evento, iniciado em junho de 2026, pode provocar 451 mil mortes adicionais no mundo até fevereiro de 2027.

   A estimativa aponta que os dias de calor extremo devem quase dobrar até fevereiro, com temperaturas pelo menos 1,2°C acima do normal. O impacto tende a ser maior entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, quando acontece o verão no Hemisfério Sul.

   O Brasil aparece na quinta posição entre os países com maior número estimado de mortes, atrás de Índia, Sudão, Indonésia e Nigéria. O período mais crítico deve ocorrer durante o verão, com maior impacto previsto nas regiões Norte e Nordeste. Entre as estimativas estão 2,3 mil mortes adicionais no Pará, 1,3 mil no Maranhão e 1,2 mil no Amazonas e na Bahia. O Rio de Janeiro não deve ser tão afetado como os outros estados, mas podem ter aproximadamente 210 mortes adicionais.

   Os pesquisadores alertam que os números podem ser ainda maiores caso o fenômeno se prolongue. Segundo eles, o episódio pode servir como uma amostra de condições de calor que tendem a se tornar mais frequentes com o avanço das mudanças climáticas.

   Entre as medidas recomendadas estão alertas de calor, centros de resfriamento, pontos de hidratação e proteção de populações vulneráveis e trabalhadores. O cálculo considera estudos que relacionam temperatura e mortalidade, além de fatores como clima local, vulnerabilidade e capacidade de adaptação de cada região.

Comentários