Conversas de WhatsApp mostram até servidores comissionados incentivando boicotes e discursos de ódio
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| Mensagens vazadas mostram participantes organizando um boicote como retaliação à reeleição de Lula em Cambuci |
Em uma cidade dividida entre quem votou no Lula e quem votou no Flávio Bolsonaro, moradores de Cambuci denunciam boicote como represália por terem votado no atual presidente. Em uma das mensagens, um secretário municipal defende que as pessoas que votaram em Flávio evitem comprar de quem teria apoiado o atual presidente, para ver se “um comércio só com gente de esquerda consumindo vai ficar de pé”. Em um grupo do WhatsApp, participantes organizam uma lista de estabelecimentos a serem boicotados porque seus proprietários supostamente votaram no Lula.
O caso pode configurar assédio eleitoral e moral, já que a legislação prevê proteção contra discriminação por convicção política e retaliações dessa natureza, que ultrapassam os limites da liberdade de expressão.
Foi com esse argumento que o Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação contra a deputada estadual Índia Armelau (PL), por supostamente incentivar a demissão de funcionários que teriam votado em políticos de esquerda. A deputada minimizou a situação e alegou que o empresário deve ter o direito de manter funcionários que concordem com suas convicções políticas.
Sobre o boicote que vem sendo incentivado em Cambuci, a Câmara Municipal emitiu uma nota de repúdio contra “qualquer forma de intolerância política que prejudique os comerciantes locais”. A nota afirma ainda que “divergências políticas não devem ser motivo de perseguição ou prejuízo ao sustento de famílias”. A Câmara também declarou que os todos os vereadores não concordam com a prática discriminatória.
Já o prefeito Murilo Defantti gravou um vídeo diante da repercussão negativa e publicou uma nota na qual afirma que não permitirá “que disputas políticas ou interesses pessoais estejam acima dos interesses da nossa cidade”.
Sobre o secretário municipal, o prefeito explicou que ele é responsável pela pasta do Planejamento, Orçamento e Gestão Geral. Segundo o prefeito, é preciso distinguir a pessoa física do ocupante de um cargo público. Ele afirmou que as declarações do servidor não foram feitas no exercício da função pública, mas fora do expediente e por meio de seu celular pessoal. Ainda assim, disse que o repreenderá.


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